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A importância da agropecuária na retomada do crescimento econômico

Estadão

Jaqueline Casale Pizzolato. FOTO: DIVULGAÇÃO

Já não é possível pensar no Brasil sem sua potente agropecuária. Mesmo durante a crise econômica e sanitária, que devastou diversos setores produtivos do país, o agronegócio se manteve como um importante motor da nossa economia e figura como uma peça chave valiosa para a retomada do crescimento do Produto Interno Bruto e das riquezas produzidas pelo Brasil.

Tenho bons motivos para acreditar nisso. Num período de marcadas dificuldades para o país e para o mundo, o agronegócio conseguiu se manter como um farol de produtividade. O PIB produzido pelo agro, no primeiro trimestre de 2021, teve um crescimento de 5,35%, representando um ganho de R$ 124 bilhões, mesmo nos meses mais agudos da pandemia. Os dados são resultados de um cálculo feito pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Isso acontece porque o setor do agronegócio brasileiro é um dos que mais investem em tecnologia e inovação, viabilizando uma produção de larga escala. Utilizando recursos como automação, Internet das Coisas, robotização, inteligência artificial, dentre outros, é possível promover uma produção verdadeiramente intensiva, que abarca todos os dias e horas da semana, com redução de erros e diminuição de custos na mão de obra.

Já não é mais um delírio futurista pensar que em breve, parte das principais fazendas produtoras do país será parcialmente autônoma. O agronegócio brasileiro tem cada vez mais se movimentado na direção de uma produção intensiva e tecnológica. Não à toa, somos o segundo maior exportador do agronegócio global.

Percebo nosso potencial de forma clara quando converso  com pecuaristas de todas as regiões do Brasil. Conheço fazendas produtoras que, mesmo sem o apoio de grandes investidores, não hesitaram em desenvolver sistemas e processos internos que ajudaram a reorganizar a produção e diminuir a chance de erro. Técnicas como suplementação a pasto da recria de bovinos de corte,, adubação orgânica com resíduos do confinamento , implementação de automação do trato e uso de drones  para controle de praga da lavoura, e até mesmo uma simples ampliação e organização dos boxes de alimento para dieta do confinamento, são utilizadas para aprimoramento da produção agropecuária.

O uso da técnica do confinamento de bovinos de corte  e vacas de leite, por exemplo, é uma amostra da intensificação da atividade pecuária no Brasil. Estima-se que, segundo a última edição do Censo DSM de Confinamento, divulgada em 2020, já chegamos a 6,2 milhões de cabeças de gado confinadas. Trata-se da forma mais produtiva e potente de produção de carne bovina, pois, por meio do confinamento, é possível reduzir a idade de abate dos animais (de 5 anos, reduz-se para 2 ou 3 anos), produzir carne de melhor qualidade (o bovino confinado ganha mais massa muscular e melhor acabamento de gordura), aumentar o peso do abate através do controle da sua alimentação (o animal pode ganhar 1,7kg por dia enquanto confinado) e obter melhor rendimento de carcaça (afinal, não há mais a dependência da qualidade da alimentação proveniente do pasto, que diminui nos períodos de seca). O confinamento auxilia a produzir mais com menos, aumentando a lucratividade das fazendas produtoras — e do agronegócio brasileiro como um todo.

A composição do setor já representa 26,6% do PIB nacional de 2020 e, segundo previsão da Cepea/CNA, já deve passar de 30% até o final de 2021. Além de ajudar a amparar boa parte da produção da nossa riqueza, o agro é o principal responsável por nossas exportações, englobando quase metade dos produtos brasileiros que são vendidos para outros países (48%, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

As carnes, durante o ano de 2020, foram o segundo produto mais exportado pelo nosso agronegócio, com destaque para a carne bovina, uma das maiores especialidades da produção brasileira. O resultado da produção de carne de bois e vacas é um produto que circula literalmente no mundo todo. Em suma, o Brasil ajuda a alimentar não menos que 180 países, sem contar com o mercado interno, que é um dos maiores do mundo. Somos, em suma, um dos maiores players do mercado do mundo e nosso protagonismo tende a crescer cada vez mais.

Temos, então, bons motivos para creditar à agropecuária um papel de protagonismo na retomada do crescimento econômico, em especial num momento em que as expectativas otimistas se elevam diante do processo de dissolução da crise sanitária. Uma produção pujante e com alto nível de empregabilidade (o agronegócio absorve 1 a cada 3 brasileiros, segundo os últimos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) faz com que o Brasil seja, cada vez mais, uma potência rural como nenhuma outra, recuperando um espaço de privilégio na economia global que tínhamos há alguns anos.

*Jaqueline Casale Pizzolato é zootecnista e diretora comercial e de pessoas na Casale Equipamentos

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