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Nova estação espacial chinesa já tem mais de mil experimentos aprovados

Canaltech

Neste ano, a China não só lançou o primeiro módulo da Tiangong-3, sua nova estação espacial, como também já levou um trio de taikonautas para passar três meses a bordo das novas instalações. Enquanto o novo laboratório orbital não é concluído — o que deverá ocorrer somente no fim do ano que vem —, há uma longa fila de experimentos esperando para serem enviados para lá. Segundo informações de cientistas chineses, a divisão China Manned Space Agency (CMSA), da agência espacial da China, já aprovou mais de mil experimentos, sendo que alguns já foram lançados.

A maior parte dos experimentos será feita por pesquisadores da China, mas o país afirma que a estação estará de portas abertas para colaborações com todas as nações — inclusive os Estados Unidos que, desde 2011, são proibidos de colaborar com os chineses sem aprovação prévia. No ano passado, a CMSA e a United Nations Office for Outer Space Affairs (UNOOSA), instituição que promove a colaboração no espaço, selecionou outros nove experimentos que se somam aos mil já aprovados pelo país, para serem lançados quando a estação for concluída.

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Representação da estrutura da nova estação, depois de concluída (Imagem: Reprodução/CMS)

Segundo Simonetta Di Poppo, diretora da UNOOSA em Viena, esses experimentos envolvem 23 instituições de 17 países. Em paralelo, Tricia Larose, pesquisadora médica da Oslo University, explica que a China está incentivando a realização de experimentos jamais feitos antes. “Eles estão dizendo ‘sim, construa seu hardware, crie algo totalmente novo, faça o que nunca foi feito antes e envie para nós’”, comenta. A maioria dos projetos já aprovados são liderados por pesquisadores chineses, e muitos deles têm colaboradores de outros países.

Yang Yang, diretor de cooperação internacional no CAS Technology and Engineering Center for Space Utilization, afirma que a estação terá mais de 20 estruturas experimentais, que são mini-laboratórios com ambientes fechados e pressurizados. Já do lado externo, haverá mais de 60 pontos de conexão para hardware de pesquisa, que ficarão voltados para a Terra ou para o céu. Por fim, um computador central poderoso irá processar os dados obtidos para depois enviá-los à Terra.

Dentre os projetos que serão enviados para as instalações da nova estação, está o HERD (High Energy Cosmic-Radiation Detection), um detector de partículas que vai estudar a matéria escura e os raios cósmicos. Esta é uma colaboração realizada entre a Itália, Suíça, Espanha e Alemanha, prevista para ser lançada em 2027. Outro é o POLAR-2, que irá analisar a polarização dos raios gama emitidos por explosões cósmicas distantes para esclarecer as propriedades delas e, quem sabe, das ondas gravitacionais.

O taikonauta Nie Haisheng a bordo do módulo Tianhe (Imagem: Reprodução/Jin Liwang/Xinhua/eyevine)

Já projetos desenvolvidos por cientistas da Índia e do México irão estudar as emissões ultravioleta liberadas por nebulosas e dados infravermelhos da Terra, para entender as condições meteorológicas e as causas por trás de tempestades intensas. Por fim, Larose planeja enviar organoides, bolhas tridimensionais de tecido saudável e com câncer para descobrir como a microgravidade afeta o crescimento de células cancerígenas.

Antes do lançamento do módulo Tianhe, a Estação Espacial Internacional era o único laboratório em órbita. Por isso, vários pesquisadores consideram a nova estação espacial chinesa como um ótimo complemento às observações astronômicas e da Terra, bem como aos estudos dos efeitos da microgravidade e radiação em diferentes fenômenos. Entretanto, as tensões geopolíticas dificultam a colaboração entre cientistas chineses e ocidentais — Larose, por exemplo, afirma que a Noruega ainda não assinou um acordo bilateral com o país, que permitiria que seu projeto avançasse.

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