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Câncer de ovário: doença de Eva Wilma é silenciosa; veja como diagnosticar

Uol

A atriz Eva Wilma, 87 anos, foi diagnosticada com câncer no ovário. Ela já estava internada desde o dia 15 de abril para cuidar de problemas cardíacos e renais e iniciou o tratamento oncológico esta semana. "A paciente aguarda resposta clínica na Unidade de Terapia Intensiva", diz o boletim do Hospital Israelita Albert Einstein, assinado por quatro meses.

Segundo tipo de tumor ginecológico mais comum no Brasil, atrás apenas do câncer de colo do útero, a doença de Eva Wilma costuma ser silenciosa e não apresentar sintomas. Por isso, de acordo com o Inca (Instituto Nacional de Câncer), em 75% dos casos o diagnóstico ocorre quando o problema já está em estágio avançado e se espalhou para outras áreas do corpo.

Leonardo Lordello, médico patologista da SBP (Sociedade Brasileira de Patologia), explica que a alta taxa de detecção tardia impacta no resultado do tratamento. Menos da metade das pacientes (48,6%) vivem por mais de cinco após descobrirem o tumor. "Quando a doença é identificada ainda restrita ao ovário, a chance de viver por mais de cinco anos sobe para 92,6%."

Como descobrir?

Um dos complicadores para o diagnóstico precoce do câncer de ovário é que, diferentemente de outros tumores, ele não tem um método de rastreamento eficaz, como o papanicolau para o câncer de colo de útero; a mamografia para o câncer de mama; e a colonoscopia para o câncer colorretal (de intestino).

"Para iniciar o diagnóstico do câncer de ovário, é necessário fazer um exame de imagem (ultrassom transvaginal e/ou ressonância magnética), que vai indicar para o médico a necessidade ou não de biópsia. Ela é que realmente vai comprovar se o tumor é maligno ou benigno. Caso a biopsia tenha o resultado positivo para carcinoma, o tratamento deve ser iniciado o quando antes", explica Fernando Maluf, oncologista do Hospital Beneficência Portuguesa, presidente do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos e fundador do Instituto Vencer o Câncer.

Apesar de a doença não ter sinais de alertas específicos, é muito importante ficar alertas a alterações como inchaço abdominal, dificuldade para se alimentar, dor na região pélvica e/ou da barriga, sangramento vaginal anormal (principalmente pós-menopausa), mudança na frequência de ir ao banheiro, fadiga extrema e perda de peso. Apesar de esses sintomas também estarem associados a muitas outras doenças ginecológicas, eles podem abrir o caminho para a realização de exames e a identificação do tumor no ovário.

Maluf explica que o tratamento da doença geralmente inclui cirurgia e quimioterapia. "Há outras opções chegando ao mercado, como a terapia oral, que está trazendo novas perspectivas para o tratamento do câncer de ovário", afirma.

Fatores de risco

De acordo com Lordello, cerca de 80% dos tumores malignos de ovário surgem por influência direta dos hormônios —algo similar ao câncer de mama —os outros 20% estão associados a mutações de origem genética.

Entre os principais fatores de risco da doença estão questões que fazem a mulher ter um maior número de ciclos menstruais ao longo da vida, como nunca ter filhos, ter a primeira menstruação precocemente e menopausa tardia, além de obesidade, tabagismo, sedentarismo e má alimentação.

"O câncer de ovário é mais prevalente a partir dos 60 anos, quando a mulher não se encontra mais em fase reprodutiva. No entanto, a doença pode ser diagnosticada também por mulheres mais jovens, principalmente nos casos de hereditariedade. As mulheres mais jovens, em fase reprodutiva, que têm uma predisposição hereditária para desenvolver a condição, podem optar por acompanhamento clínico mais precoce e frequente", orienta o presidente da SBP.

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