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Ediel Ribeiro: Mendez: mestre da caricatura

Diário do Rio de Janeiro

Em março de 2021 escrevi para ‘O Folha de Minas’ a crônica “Mendez, um Mestre”.

O professor, pesquisador e escritor Levi Jucá leu e me ligou. Foi nosso primeiro contato. Jucá me disse que estava escrevendo a biografia do cartunista cearense, que sairia no segundo semestre.

Saiu.

Hoje, recebi, direto de Pacoti, no Ceará, a excelente obra dedicada ao cartunista cearense, com a dedicatória do autor.

“Mendez: Mestre da Caricatura” (EcoMuseu de Pacoti, 256 págs.) é o livro definitivo de Levi Jucá – que já escreveu “Pacoti, História & Memória” (2014), “Um Século de Magia” (2017), sobre a vida de Luiz Severiano Ribeiro, o “Rei do Cinema no Brasil”, e “Filhos de Guaramiranga” (2019).

Em 2018, Jucá participou da coletânea ‘História das Histórias em Quadrinhos no Ceará’ (EDR), com textos do próprio Mendez, que seria o embrião da biografia do cartunista cearense.

“Mendez: Mestre da Caricatura” contou com apoio de recursos da Lei Aldir Blanc, e é a primeira obra impressa a trazer o selo editorial do Ecomuseu de Pacoti.

Pela primeira vez, desde a sua morte, a vida e a obra de Mendez são narradas e ilustradas em livro, para que sejam conhecidas e admiradas pelas novas gerações. Uma obra impressionante, da capa ao miolo e ricamente ilustrada.

O que primeiro me impressionou foi a capa. Minimalista, clara, branca. Merece um prêmio. A alvura da capa nos convida a lavar as mãos e mergulhar na vida do genial artista cearense.

Mário de Oliveira Mendes – que mais tarde adotaria, por sugestão do amigo Álvaro Cotrim, o “Alvarus” (1904-1985), o “z” no final do sobrenome – nasceu em 25 de dezembro de 1906, em Baturité, no Ceará.

Aos cinco anos de idade, mudou-se com a família para o Pará. Durante a infância em Belém, criou suas primeiras caricaturas inspiradas em J. Carlos, Kalixto e Storn, artistas cujo trabalho ele acompanhava na revista ‘O Malho’.

Aos 17 anos, mudou para o Rio de Janeiro, onde iniciou sua carreira na “Revista Musical”, publicando ali, sua primeira caricatura, em julho de 1927.

A partir daí, colaborou com os jornais “A Noite”, “Folha Carioca”, “Jornal do Brasil” e com as revistas “O Cruzeiro”, “Radiolândia”, “Revista da Semana” e “Revista do Rádio”.

Foi autor de três livros: “Tipos e Costumes dos Negros no Brasil”, “Como Desenhar Caricaturas” e “Mendez, Desenhos e Caricaturas”.

O cartunista cearense tinha um estilo limpo, econômico, inconfundível e certeiro que acabou influenciando uma geração de artistas. Conhecido por agregar aos seus traços um humor irreverente, despertava satisfação e incômodo em muitos dos caricaturados.

Além da caricatura, Mendez dedicou-se à pintura, principalmente no fim de sua carreira. “A gente nasce caricaturista, vira desenhista e morre pintor”, dizia.

Mesmo com a idade avançada, Mendez continuou produzindo. Ficava no ateliê de 8 às 17 horas. Desenhava, pintava e fazia caricaturas. Sua produção só foi interrompida pela morte, em 1996, no Rio de Janeiro, aos 88 anos.

* LEVI JUCÁ é licenciado em História pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Mestre em História e Culturas pela Universidade Estadual do Ceará (UECE) e professor do Ensino Médio. Natural de Fortaleza – CE, mas com raízes familiares em Pacoti, na Serra de Baturité, onde reside e desenvolve pesquisas e projetos educativos para a divulgação e preservação do patrimônio cultural e ambiental.

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