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25 anos do legado da urna eletrônica

Estadão

Giuseppe Janino. FOTO: DIVULGAÇÃO

Em 2021, a urna eletrônica completou 25 anos de história. E hoje, com a aproximação das eleições de 2022, ainda há quem tente descredibilizá-la mesmo sem qualquer comprovação de fraude durante todos esses anos.

Acusações infundadas e uma onda de fake news vêm trazendo questionamentos sem qualquer base de conhecimento, que não apenas impedem o avanço no sistema eleitoral brasileiro, mas, principalmente, incentivam o retrocesso, com a ideia, inclusive, do retorno das cédulas de papel.

Todas as suspeitas de irregularidades nas urnas eletrônicas apresentadas ao longo dos anos foram investigadas e arquivadas por instituições competentes, como o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF). Mas, ainda há quem se prenda a discursos fáceis, como dizer que a eleição foi “roubada” ou “injustiçada”.

Há 30 anos, os eleitores brasileiros marcavam seus votos em papéis, depositavam em sacos de lona fechados por um cadeado, que depois eram transportados e contados manualmente por um grupo de pessoas. Um processo lento e marcado por erros e fraudes em razão da intervenção humana.

Foi neste cenário que teve início a criação da urna eletrônica, utilizando a tecnologia a favor do país, como base de transformação e evolução do processo eleitoral. O processo digital é o único que garante a possibilidade de verificação de integridade, autoria e imutabilidade. As eleições se tornaram íntegras e confiáveis para o povo brasileiro. A partir disso, houve a mudança efetiva no paradigma democrático no Brasil.

No entanto, desde sempre, a aceitação da urna eletrônica entre os políticos foi o principal entrave. Dentre as principais teorias da conspiração, há a de que hackers poderiam invadir as urnas eletrônicas e fraudar os resultados. Essas e outras acusações infundadas já foram desmistificadas e consideradas improcedentes, principalmente porque as urnas eletrônicas não são conectadas à internet. Ainda assim, um hacker teria que pegar uma urna de cada vez e tentar quebrar todas as barreiras de segurança existentes – físicas e digitais.

A adoção do voto impresso no país representaria um total retrocesso, pois as eleições ficariam facilmente suscetíveis a fraudes. Além disso, o sistema brasileiro de votação eletrônica favoreceu a democratização do voto. A digitalização do processo permitiu que os cidadãos que estavam à margem da sociedade, como analfabetos, deficientes visuais e indígenas pudessem votar.

Até hoje, a urna eletrônica foi utilizada em 12 eleições no país e, desde então, nunca houve indícios ou comprovação de fraudes eleitorais. O Brasil é referência mundial, pois a tecnologia utilizada nas urnas eletrônicas conta com mecanismos que garantem a segurança do voto.

Ela registra o voto do eleitor e utiliza criptografia para impedir que os arquivos e informações sejam modificados por qualquer motivo. Dessa forma, o voto, assim que registrado, é embaralhado internamente por meio do seu sistema de segurança. Todos os resultados que a urna gera são assinados digitalmente por ela. Tudo isso contribui para que o Brasil tenha a maior eleição informatizada do mundo e seja considerada também uma das mais seguras.

*Giuseppe Janino é matemático, analista de sistema, gestor em Tecnologia da  Informação, secretário de TI do TSE por 15 anos, coautor do Projeto da Urna Eletrônica Brasileira, consultor em Eleições Digitais e Identificação Biométrica, autor do livro O Quinto Ninja

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