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Obras de shopping popular são adiadas

Correio Popular

A construção do shopping popular — para onde os camelôs do Centro de Campinas serão transferidos — foi adiada devido a um impasse envolvendo a estrutura de um antigo galpão tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc) existente na área destinada ao projeto. É o que afirma o vereador Carlinhos Camelô (PSB), que integra o Sindicato dos Empreendedores Individuais de Ponto Público Fixo e Móvel de Campinas (Sindipeic) e acompanha as discussões sobre a retirada do camelódromo da área central da cidade há vários anos. Segundo ele, as obras não serão iniciadas este mês, conforme previsto, e que uma solução para o problema já está sendo discutida com a Administração Municipal. No entanto, a Secretaria Municipal de Cultura nega que um imóvel tombado seja responsável por postergar a construção, mas também não esclareceu porque as obras não foram iniciadas.

Pelo acordo firmado entre representantes dos camelôs e a Prefeitura Municipal de Campinas, por meio de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), o shopping popular será construído na área do Pátio Ferroviário, nas proximidades do novo terminal rodoviário da cidade, onde existem galpões tombados pelo patrimônio histórico. Para a construção do shopping popular, já há um contrato assinado, no final de novembro, no valor de R$ 128,2 milhões com a empresa Engemon Comércio e Serviços Técnicos Ltda., responsável pela obra.

Carlinhos Camelô afirmou que, no projeto da Estação Centro — Mercado Popular de Campinas (nome oficial do novo camelódromo), já consta um galpão histórico tombado pelo Condepacc, mas que, durante os trabalhos para início das obras na área cedida, foi identificada uma segunda estrutura metálica de galpão que aparece como tombado pelo Conselho, fato que travou o andamento do cronograma previsto. Ele explicou que nem a Prefeitura nem o sindicato que representa os camelôs tinham conhecimento do tombamento também dessa outra estrutura de galpão, que fica perto da Rodoviária.

O vereador afirmou que está discutindo com a Administração Municipal uma saída para o impasse e que pretende conversar sobre o assunto com o prefeito Dário Saadi ainda este mês. Entre as soluções propostas pelo parlamentar, estaria a revogação da lei do tombamento da estrutura ou a adequação dessa estrutura metálica ao projeto arquitetônico de construção do shopping.

"É uma solução que estamos discutindo. É um assunto que será facilmente resolvido, tenho certeza. Nossa ideia é que, no mais rápido possível, as obras sejam efetivamente iniciadas e esse novo galpão seja integrado ao projeto original", disse.

Secretaria de Cultura nega

A Secretaria Municipal de Cultura, no entanto, informou, por meio de assessoria de imprensa, que o projeto da Estação Centro — Mercado Popular de Campinas ainda não foi apresentado ao Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc), portanto, não procede a informação de que um imóvel tombado pelo órgão é responsável por postergar o início das obras.

"O processo já foi iniciado e o próximo passo será a apresentação do projeto aos técnicos da Coordenadoria para apreciação. Nessa análise, é avaliado se o projeto respeita bens tombados em sua área de execução e não os descaracteriza", diz trecho da resposta da Prefeitura via assessoria de imprensa.

Após esse parecer, segundo a Administração, o projeto é enviado para o Condepacc, que dará a partir de aprovação da maioria dos representantes. O Conselho é formado por 27 entidades e suas decisões são independentes.

A Prefeitura de Campinas, no entanto, ressalta que tem total interesse no sucesso da construção do shopping, uma vez que possibilitará mais qualidade de vida e melhoria da condição de trabalho dos empreendedores e colaboradores, bem como contribuirá para a revitalização da área central da cidade.

Para o vereador, a revogação da lei de tombamento pode significar mais agilidade para o início das obras do shopping, mas disse que tudo será conversado. Ele reforça que, ao incorporar a estrutura tombada, seria necessária uma nova aprovação do projeto de construção da obra.

Ambas as soluções, segundo Carlinhos Camelô, não acarretarão acréscimo no valor de construção do shopping, que é de responsabilidade do Sindipeic e será viabilizado por meio de financiamentos. A previsão para a conclusão dos trabalhos, depois de iniciado, é de 18 meses.

O investimento na construção do centro de compras será custeado por microempreendedores. Cerca de 1,2 mil camelôs que trabalham na região central e são cadastrados na Prefeitura serão transferidos para o novo prédio. A previsão é que o novo centro de compras popular conte com 1.687 boxes comerciais e cinco entradas pelo calçadão. O arquiteto Marcelo Hobeika, responsável pelo projeto, afirmou ao Correio Popular na época do lançamento do projeto, em meados de 2021, que seriam 42 mil metros quadrados de área construída, que constituirão o segundo maior shopping da cidade, perdendo em tamanho apenas para o Parque Dom Pedro Shopping.

A expectativa é que o camelódromo receba um público de aproximadamente 150 mil pessoas por dia. O projeto arquitetônico contempla a construção de um estacionamento com 633 vagas, oito elevadores e 12 banheiros. As áreas de apoio contarão com espaços para a administração, primeiros-socorros, enfermaria, bombeiros, vestiários, pontos para caixas eletrônicos e sala de segurança. Com a retirada do atual "camelódromo", a Prefeitura deverá executar um plano de revitalização da área central da cidade.

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