Se você curte notícias astronômicas deve ter visto em algum lugar da internet nos últimos dias algo sobre um mineiro que encontrou e até lavou com bucha e sabão um pedaço de um suposto meteorito. Até o momento não se sabe se o tal pedaço de rocha é mesmo um fragmento espacial.

No entanto, ao ser consultada pelo jornal O Tempo, a Rede Brasileira de Observação de Meteoros (Bramon), afirmou ser possível encontrar alguns meteoritos entre as regiões das cidades mineiras de Araxá e Perdizes. 

Meteorito se desprendeu de meteoro que caiu em Minas Gerais. (Fonte: Twitter/reprodução)

Conforme a Bramon, o meteoro observado no último dia 14 de janeiro começou a brilhar a cerca de 86 km de altitude sobre a  zona rural da cidade de Uberlândia, no Triangulo Mineiro.  Depois disso, percorreu incríveis 109,3 km em apenas nove segundos, e isso a uma velocidade de 43,7 km/h, desaparecendo entre as cidades de Araxá e Perdizes.

Quais as chances de encontrar um meteorito?

Bom, o problema tem a ver sobre como encontrar um meteorito  e o que o deve ser feito no caso de achar um. Isso porque, ao contrário do que boa parte das pessoas pode imaginar, meteoritos são muito raros. Para se ter uma ideia, nos últimos 200 anos, apenas 1.800 foram encontrados nos Estados Unidos.

Sem dúvidas, nosso planeta está sob ataque constante de rochas espaciais. Mas, quando elas atingem nossa atmosfera, acabam queimando, sendo que a maioria vai parar nos oceanos, são enterrados quando atingem o solo ou se desgastam gradualmente.

Como saber se é mesmo um meteorito?

Para quem não é especialista no assunto essa pode ser uma tarefa difícil. Mas, quanto mais se sabe sobre, mais fácil fica. Então, aqui vão algumas dicas:

  • Um meteorito possui uma crosta de fusão que, normalmente, consiste em uma fina camada em sua superfície. Essa crosta se forma devido ao derretimento causado quando ele passou pela nossa atmosfera.
  • Tem uma forma incomum. Ou seja, muito raramente um meteorito de ferro/níquel é arredondado. Eles costumam ter formas irregulares e marcas em sua superfície que se parecem com impressões digitais chamadas de regmaglypts.
  • A maioria dos meteoritos contém ferro metálico, por isso, são magnéticos e um simples ímã pode grudar neles. Mas também há meteoritos pedregosos nos quais um ímã pode não grudar, mas, ainda assim, se você pendurá-lo por uma corda e aproximar um ímã, o meteorito será atraído.
  • Por fim, os meteoritos são densos e pesados em relação ao seu tamanho, exatamente por conterem minerais densos e ferro.

O que indica que a rocha não é um meteorito:

  • Se você riscar a rocha e aparecem riscos pretos e vermelhos, isso indica que ela tem minerais de ferro como magnetita e hematita, respectivamente. Nenhum deles é encontrado em um meteorito;
  • Bolhas indicam rochas vulcânicas ou outro tipo de rocha terrestre;
  • Cristais claros são comuns na crosta terrestre, mas não é achado em outros corpos do Sistema Solar.

Você também aprofundar seus conhecimentos com bancos de imagens de meteoritos e dados sobre eles, uma boa fonte é o meteorwrongs. Além disso, existem grupos e páginas específicas nas redes sociais que ajudam as pessoas na identificação, como a Meteorite or Meteorwrong, no Facebook.

Se após consultar as mais variadas listas, fotos e fontes de dados ainda não tiver certeza de que está em posse de um meteorito, você pode tentar enviar a imagem para astrônomos que você segue, especialmente os amadores do Twitter, tem muita gente capacitada por lá, ou para entidades e instituições como o Observatório de Astronomia da Universidade Estadual Paulista (UNESP) e a Rede Brasileira de Monitoramento de Meteoros.

Por fim, veja algumas imagens do espetáculo no céu mineiro: