Na última semana, Platão, o caça-planetas de última geração da Agência Espacial Europeia (ESA), recebeu sinal verde para continuar com seu desenvolvimento após revisão de um marco crítico ser concluída com sucesso.

Segundo a ESA, a revisão verificou a maturidade do segmento espacial completo (plataforma espacial e módulo de carga), confirmando a solidez das interfaces e o cronograma de carga com foco especial na produção em série das 26 câmeras e na robustez da espaçonave. Platão usará as 26 câmeras para descobrir e caracterizar exoplanetas que orbitam estrelas semelhantes ao nosso Sol.

Testes reproduziram o ambiente operacional planejado para o telescópio Platão no espaço profundo. Na imagem acima, uma das 26 câmeras do observatório. Imagem: ESA-Matteo Apolloni

Ainda de acordo com a agência, a revisão do marco crítico foi estabelecida para Platão (forma aportuguesada de Plato – PLAnetary Transits and Oscillations of stars) no momento da adoção da missão devido aos riscos de desenvolvimento associados à produção em série das câmeras. 

Revisão durou seis meses

Realizada no período entre julho e dezembro de 2021, a revisão contou com uma equipe de mais de 100 funcionários da ESA divididos em dois painéis (um para a espaçonave e outro para a carga) que submeteram suas descobertas ao conselho.

Na última terça-feira (11), aconteceu a reunião do conselho de revisão, que identificou que todos os aspectos da produção, montagem e testes das câmeras foram exercidos com sucesso com os testes de modelos estruturais, de engenharia e de qualificação das unidades de câmera. As propriedades termo-elásticas do banco óptico, que hospeda as câmeras, foram verificadas com uma nova técnica de teste desenvolvida pelo principal contratante da espaçonave, OHB System AG.

Com a conquista deste marco, a segunda fase do contrato industrial, liderada pela OHB System AG, como principal contratada, junto com a Thales Alenia Space, na França, e a RUAG Space System, na Suíça, como parte da equipe principal, pode começar.

Para o desenvolvimento do módulo da carga do Platão, a ESA conta com a colaboração com um consórcio europeu de institutos e indústria, o Plato Mission Consortium (PMC), conforme o Acordo Multilaterais (MLA) estabelecido com a agência.

O próximo grande marco para Platão é a revisão de design crítico da espaçonave, que acontece em 2023, para verificar o layout detalhado da espaçonave completa antes de prosseguir com sua montagem.

“Platão continua uma tradição europeia de excelência em todas as áreas da ciência espacial”, disse Filippo Marliani, gerente de projetos da Platão na ESA. “A missão servirá à comunidade científica para reunir conhecimento inestimável de planetas em nossa galáxia, além do nosso próprio sistema solar. A conclusão bem-sucedida do marco crítico e o início formal da segunda fase desta missão extraordinária constituem um importante impulso de energia positiva para os próximos desafios a serem enfrentados com nossos parceiros industriais, institucionais e acadêmicos”.

Novo telescópio espacial da ESA será vizinho de James Webb

Após o lançamento, atualmente previsto para o final de 2026, Platão viajará até o Segundo Ponto de Lagrange (L2) no espaço, a 1,5 milhão de km além da Terra, na direção oposta à do Sol – local de destino do Telescópio Espacial James Webb. 

A partir desse ponto, Platão observará mais de 200 mil estrelas durante sua operação nominal de quatro anos, procurando mergulhos regulares em sua luz causada pelo trânsito de um planeta através do disco da estrela. 

Segundo a ESA, a análise desses trânsitos e das variações de luz estelar permitirão determinações precisas das propriedades dos exoplanetas e suas estrelas hospedeiras. “Após essa revisão bem-sucedida, podemos continuar a implementação desta emocionante missão que revolucionará nosso conhecimento de exoplanetas até o tamanho da Terra e abrirá novos locais no estudo da evolução das estrelas”, disse Ana Heras, cientista de projetos de Platão da ESA.

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