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Transportadoras de combustíveis fazem paralisação contra preço do diesel

Brasilagro

caminhoes tanque greve Foto SindTanque Divulgacao

Legenda: Tanqueiros fazem greve em Minas Gerais. Foto SindTanque Divulgacao

 Movimento impede o carregamento de combustíveis no Rio e em Minas Gerais, segundo sindicatos.

Transportadoras de combustíveis iniciaram uma paralisação em ao menos três estados nesta quinta-feira (21), em protesto contra os altos preços dos combustíveis no país. Os manifestantes bloquearam a entrada de bases de distribuição de combustíveis, impedindo o carregamento dos produtos.

Em Minas Gerais, um dos estados afetados, já há notícias de falta de produtos em alguns postos que estavam sem estoque, disse o Minaspetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais).

No Rio de Janeiro, o Sindicomb (Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes) disse que pode ocorrer o mesmo, caso a paralisação seja mantida por mais tempo, já que os postos estão trabalhando com estoques reduzidos.

 A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) disse está monitorando o movimento e que acompanhamento junto ao setor "não indica falta de combustível, até o momento". "Caso os riscos se acentuem, a ANP adotará as medidas cabíveis para minimizar os impactos no abastecimento", afirmou.

Segundo o Sindtanque-MG (Sindicato das Empresas Transportadoras de Combustíveis e Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais), a paralisação foi iniciada ainda de madrugada e teria adesão também no Espírito Santo — embora o sindicato de postos capixaba diga que não tem informações sobre o caso.

Em Minas, diz o Sindtanque-MG, cerca de 1.500 caminhões aderiram ao movimento, que começou no início da manhã com concentrações nas bases da Vibra (antiga BR Distribuidora), Shell, Ipiranga e Ale.

"Não aguentamos mais as altas dos combustíveis. O diesel representa hoje quase 70% do custo do frete. As transportadoras estão quebrando", diz o presidente da entidade, Irani Gomes. "Enquanto o governo não der uma satisfação para a categoria, a categoria não vai voltar a trabalhar."

Os transportadores mineiros pedem redução na alíquota do ICMS no estado de 15% para 12% e pressiona também por encontros com o governador de Minas, Romeu Zema (Novo), e com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

No Rio, o Sindicomb diz que as distribuidoras próximas à Refinaria de Duque de Caxias fecharam as portas para evitar tumultos e depredações depois que os tanqueiros passaram a impedir a entrada de caminhões.

As distribuidoras informaram ao Sindcomb que tentavam retomar os carregamentos até o início da tarde. "Os postos do Rio seguem aguardando a normalização das entregas para poderem atender a sua clientela até o fim de semana", afirmou o sindicato.

"Como os postos trabalham com estoques reduzidos em função da queda nas vendas a partir da pandemia da Covid-19, poderá haver problemas pontuais de abastecimento na cidade do Rio de Janeiro, caso o bloqueio dos caminhoneiros perdure pelas próximas horas", completou a entidade, no fim do dia.

"O Minaspetro acredita que em um momento de forte instabilidade, em que a população já sofre com altos preços e desemprego por causa dos efeitos da pandemia, a realização de greve não é o caminho ideal para a solução do problema", disse o sindicato mineiro.

Representante das maiores distribuidoras do país, o IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás) disse que está acompanhando a movimentação e pediu atuação das autoridades responsáveis para o reestabelecimento das operações.

"O IBP entende que as manifestações, ainda que legítimas, devem ocorrer sem que haja impactos no abastecimento de combustíveis à sociedade", afirmou, em nota.

Segundo o Sindtanque-MG, não há data para o fim da paralisação. A entidade representa empresas de transporte de carga e não trabalhadores do setor. A participação de empresários na greve dos caminhoneiros que parou o país em 2018 chegou a ser investigada pela Polícia Federal.

Ainda não há sinais de adesão dos caminhoneiros à paralisação das transportadoras. Essa categoria vem se reunindo mensalmente para analisar a situação e ameaça parar no dia 1º de novembro, caso o governo não atenda suas demandas.

Na semana passada, o preço médio do diesel no país bateu R$ 4,976 por litro, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis). Em Rondônia e no Acre, já é possível encontrar o produto a mais de R$ 6 por litro.

A escalada dos preços dos combustíveis é um dos principais fatores de pressão sobre a inflação brasileira, que em setembro acelerou para 1,16%, a maior alta para o mês desde o início do Plano Real, quebrando a barreira simbólica dos dois dígitos no acumulado de 12 meses.

Para tentar reverter os impactos dos aumentos sobre sua popularidade, o presidente Jair Bolsonaro vem colocando o tema como principal prioridade do seu governo, com apoio do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL).

Na semana passada, a Câmara aprovou projeto de lei que altera as regras de cobrança do ICMS, imposto estadual que vem sendo apontado erroneamente pelo governo como principal causa dos aumentos dos preços dos combustíveis.

Criticado por governadores e especialistas, o projeto promete reduzir em 7% o preço da gasolina. Os estados alegam que perderão R$ 24 bilhões por ano com a nova fórmula, que segundo eles não resolveria o problema da alta de preços.

Pelo contrário, os preços dos combustíveis permanecem pressionados pela recuperação das cotações do petróleo e pela alta do dólar, que chegou a bater R$ 5,67 nesta quinta, depois que o ministro da Economia, Paulo Guedes, pediu licença para furar o teto de gastos (Folha de S.Paulo, 22/10/21)


BOLSONARO Foto Adriano Machado Reuters

 Manobra que dribla teto de gastos abre espaço de ao menos R$ 83 bi no Orçamento do ano que vem.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou, nesta quinta-feira (21), que o governo criará um auxílio para caminhoneiros em razão da alta do diesel. A categoria faz parte da base de apoio do mandatário.

O chefe do Executivo disse que a medida beneficiará cerca de 750 mil caminhoneiros, mas não revelou valores nem a origem dos recursos para a criação do novo benefício.

Segundo a Folha apurou, o governo estuda pagar R$ 400 para os caminhoneiros até dezembro de 2022. O desembolso virá do espaço gerado no orçamento do ano que vem com a revisão da metodologia de cálculo do teto de gastos.

A Caixa Econômica Federal deve operacionalizar o novo programa. Interlocutores que participam das negociações afirmam, contudo, que os detalhes do benefício ainda estão sendo acertados.

O drible no teto de gastos foi costurado pelo governo para "caber" no orçamento o Auxílio Brasil de R$ 400 determinados pelo presidente. A mudança pode abrir espaço de ao menos R$ 83 bilhões no ano que vem, quando Bolsonaro disputará reeleição.

O novo cálculo entrou na PEC dos Precatórios, cujo relatório foi lido nesta quinta-feira. Se aprovado, o governo quer usar parte dos R$ 15 bilhões que vão surgir no orçamento deste ano para custear o benefício. O restante vai pagar o Auxílio Brasil e vacinas.

Na mesma reunião do último dia 18 no Palácio do Alvorada, em que Bolsonaro exigiu que técnicos encontrassem saídas para o sucessor do Bolsa Família da forma como gostaria, também reafirmou que queria um auxílio-combustível.

"Os números serão apresentados nos próximos dias. Vamos atender aos caminhoneiros autônomos. Em torno de 750 mil caminhoneiros receberão ajuda para compensar aumento do diesel", disse o presidente nesta quinta-feira em cerimônia no interior de Pernambuco. 

A alta no preço do diesel tem levado caminhoneiros a ensaiarem novas paralisações no país em novembro. A categoria faz parte da base de apoio de Bolsonaro.

O preço do combustível teve alta nas duas últimas semanas e passou de R$ 4,961 para R$ 4,976. No ano, a alta chegou a 37,99%.

Para Bolsonaro, a disparada nos valores dos combustíveis ocorre por causa dos preços no exterior.

"O preço do combustível lá fora está o dobro do Brasil. Sabemos que aqui é um outro país, mas grande parte do que consumimos em combustível, ou melhor, uma parte considerável nós importamos e temos que pagar o preço deles lá de fora", afirmou.

O anúncio do novo auxílio para caminhoneiros ocorre ao mesmo tempo em que o mercado financeiro repercute negativamente a possibilidade do governo descumprir o teto de gastos para bancar o novo programa Auxílio Brasil, substituto do Bolsa Família, a R$ 400.

O Auxílio Brasil é visto como fundamental para alavancar a popularidade do presidente Bolsonaro em 2022, ano em que ele deverá tentar a reeleição.

Bolsonaro participou nesta quinta de evento em Sertânia, no Sertão de Pernambuco, a 316 quilômetros do Recife. Ele esteve na inauguração do Ramal do Agreste, um braço da Transposição do Rio São Francisco.

A obra hídrica recebeu investimentos de R$ 1,67 bilhão e poderá beneficiar, juntamente com as duas etapas da adutora do Agreste, mais de 2 milhões de pessoas em 68 cidades da região mais atingida pela escassez de água no interior pernambucano.

A construção do ramal teve início em 2014, no governo Dilma Rousseff (PT), e seguiu em obras no governo Michel Temer (MDB) até o desfecho com Bolsonaro.

No entanto, apesar da finalização, o Ramal não levará efeitos práticos imediatos para a população. Isso porque não foi concluída ainda a Adutora do Agreste, outra etapa do projeto, conforme revelou o Painel nesta quinta-feira.

Segundo o Governo de Pernambuco, as obras não foram finalizadas ainda porque o próprio presidente da República vetou, em abril, o envio de R$ 161 milhões para o projeto.

O Ministério do Desenvolvimento Regional rebateu a versão do governo estadual e criticou a sequência de execução dos trechos da Adutora do Agreste escolhida pelo governo pernambucano.

A comitiva presidencial também inaugurou, na Barragem de Campos, a captação definitiva do Ramal de Sertânia, estrutura da Adutora do Pajeú. Cerca de 37 mil habitantes da cidade de Sertânia devem ser beneficiados. O investimento federal na obra é de R$ 10 milhões.

Na chegada a Sertânia, Bolsonaro provocou aglomeração ao cumprimentar apoiadores. O presidente não utilizou máscara, mesmo com o uso do equipamento de proteção contra a Covid sendo obrigatório em Pernambuco.

Bolsonaro estava acompanhado dos ministros Gilson Machado (Turismo), Onyx Lorenzoni (Trabalho), Marcelo Queiroga (Saúde) e Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional), além do senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), líder do governo no Senado, e de deputados federais e estaduais aliados em Pernambuco.

 Desde o início de outubro, Bolsonaro tem cumprido agendas no interior de estados do Nordeste acompanhado pelo ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, para inaugurar obras hídricas. O périplo foi batizado de "Jornada das Águas" pelo Palácio do Planalto.

A estratégia do presidente é uma tentativa de se contrapor ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, provável adversário de Bolsonaro nas eleições de 2022, em uma região que é reduto político do petista.

Pela manhã, Bolsonaro participou da inauguração da obra do trecho final do Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco, em São José de Piranhas, na Paraíba. Em discurso no evento, o presidente desdenhou de vacinas e voltou a defender o kit Covid, comprovadamente ineficaz para tratamento da doença (Folha de S.Paulo, 22/10/21)

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