A agitada Nova York é conhecida por ser uma das vitrines do mundo da moda, por ter "fecundado" o circuito do Teatro Musical, por ser o "rosto" do sonho americano, e também por ser a terceiro local mais infestado de ratos dos Estados Unidos.

A segunda cidade mais cara para se morar no país tem esse problema desde o final dos anos 1700, quando os ratos passaram a formar colônias nos becos, porões e parques da cidade, atraídos por algo que a superpopulação traz para qualquer lugar: lixo.

O problema dos ratos

(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Os ratos migraram para a cidade quando os navios da França e da Inglaterra ancoraram nos portos da cidade no final do século XVIII, trazendo, além de pessoas, o rato norueguês, também conhecido como rato marrom. O roedor se originou na Ásia e se espalhou pelo Oriente Médio até a Europa e a África.

Outras espécies de ratos tentam, mas não conseguem se firmar na cidade. De acordo com uma matéria do Popular Science, o rodentologista urbano Robert Corrigan vê isso como um alívio, pois existiu sempre a dúvida se os portos ainda seriam um problema como nos séculos passados. No entanto, ainda que os roedores cheguem, eles não conseguem estabelecer uma nova ligação genética para permanecer.

(Fonte: USA Today/Reprodução)

Nova York produz cerca de 14 milhões de toneladas de lixo por ano, com fontes abertas de comida, como lixeira nos fundos de restaurantes decrépitos em áreas menos glamorosas da cidade, ajudando a potencializar a permanência dos ratos.

A administração de Bill De Blasio, atual prefeito da metrópole, já destinou US$ 32 milhões para a redução das atividades dos ratos em até 70% nas três áreas mais infestadas da cidade. Contudo, Corrigan deixa claro que isso nunca será o suficiente, pois essas populações locais não foram "nocauteadas". 

"É socialmente um alívio ter o impressionante número de 70% de exterminação, sendo que a dinâmica populacional da espécie só diminuiria se fosse alcançado 90% de exterminação", pontua o rodentologista.

Mutações

(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Mas, no final das contas, além do lixo desregulado por algumas pessoas, apesar das políticas públicas, e os métodos de exterminação; o que também contribui para o constante crescimento dos ratos na cidade são dois fatores: linhagem genética e adaptação territorial.

Conforme o estudo feito pelo formando Matthew Combs, da Universidade de Fordham, os ratos passaram a ir para o Lower East Side e o East Harlem porque são áreas onde existem mais diversidade genética da espécie, podendo gerar bebês ratos com mutações de DNA frequentes.

Combs e sua equipe sequenciaram os genomas de 29 ratos marrons espalhados pela cidade e os comparou com amostras de DNA de ratos marrons no nordeste rural da China, cuja extensão ancestral acredita-se ser da mesma espécie. Eles procuravam por sinais de varreduras seletivas que vê mutações benéficas se tornarem predominantes em uma determinada população.

(Fonte: Atlas Obscura/Reprodução)

A análise revelou que dezenas de genes mostravam variações entre os roedores nova-iorquinos, algumas associadas à mobilidade, comportamento e dieta. Essas alterações pareciam ser mutações recentes que ocorreram após uma separação da população ancestral, seguida pela migração dos ratos da Ásia para a Europa e depois para a América.

Uma das conclusões dos pesquisadores mostraram que algumas mutações genéticas podem ter feito os ratos desenvolverem uma resistência ao rodenticida. Eles também notaram que houve mudanças nos genes associados à metabolização de carboidratos e açucares. Isso mostra que os ratos urbanos estão comendo porções cada vez maiores de açúcares e gorduras processadas que os humanos descartam de maneira errada — o que também é possível que essa dieta pouco saudável os torne suscetíveis a problemas de saúde hereditários.

O próximo passo na pesquisa de Combs é estudar os ratos de outras cidades para saber se seus genomas evoluíram de maneira semelhante à população de roedores de Nova York. De qualquer forma, já ficou mais do que claro que os ratos foram afetados pela vida próxima aos humanos de maneira permanente, fazendo entender a dificuldade do problema em acabar com eles.