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Cirurgia plástica não faz milagre, dizem médicos

Tribuna Online
O Cirurgião Fabrício Regiani mostra imagens  da campanha: alerta para truques e falsos resultados milagrosos (Foto: Dayana Souza/AT)

O Cirurgião Fabrício Regiani mostra imagens da campanha: alerta para truques e falsos resultados milagrosos (Foto: Dayana Souza/AT)

Uma barriga tanquinho ou aquele bumbum empinado. É comum se deparar com essas imagens nas redes sociais, principalmente, em propagandas do “antes e depois”. Mas muitas dessas fotos podem mesmo é enganar, ainda mais se tratando de cirurgias plásticas.

Quem faz esse alerta são médicos da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), que lançaram a campanha: “Cirurgia Plástica: não existe milagre. Existe ciência, responsabilidade e especialização!”. O objetivo é chamar a atenção para o risco de procedimentos com profissionais não qualificados.

Presidente da SBCP, o cirurgião plástico Dênis Calazans afirmou que expor imagens de pacientes é uma conduta proibida a médicos.

Já o presidente da SBCP no Estado, cirurgião plástico Ariosto Santos, explicou que, apesar de as mídias serem importantes, há uma insegurança em algumas ações que vêm ocorrendo nas redes.
O médico ressalta ainda que as fotos mostrando “antes e depois” não são permitidas, pois podem ser manipuladas.

“Há pacientes que acham que os números de seguidores nas redes sociais e nas lives são indicadores de qualidade, mas não são. Seguidores podem ser forjados. Por isso, é melhor as pessoas se orientarem por questões mais concretas”.

O cirurgião plástico Fabrício Regiani pontuou que o “antes e depois” poderia até ser proveitoso em algumas situações, mas hoje é proibido pelo Código de Ética Médica. Além disto, nem todos os casos terão o mesmo resultado, diz.

“Não podemos escolher aquilo que queremos cumprir e o que não queremos. Se existe uma norma para não publicar e não fazer, pode-se até discordar, mas não se deve infringir a norma”.

O cirurgião plástico Adriano Batistuta citou, como exemplo, a substância polimetilmetacrilato (PMMA), usada para preenchimento e que, muitas vezes, é recomendada em perfis na internet. “O risco de uma embolia durante o procedimento é grande e, a longo prazo, há risco de um processo inflamatório no local”, alertou.

Segundo o médico, a recomendação para esses procedimentos é usar a gordura como enxerto ou a prótese de silicone.


Técnica após perder peso


A empresária Roberta Borsoi (Foto: Fábio Nunes/AT)

A empresária Roberta Borsoi (Foto: Fábio Nunes/AT)

Após uma cirurgia bariátrica, a empresária Roberta Borsoi, 38, passou de 123 quilos para 74. Com a redução de peso, ela contou que se sentiu “sem bumbum” e viu na internet que a substância polimetilmetacrilato (PMMA) poderia ser a solução. “Vi um cirurgião plástico indicando e fui atrás de informação, com um médico da minha confiança, que foi enfático e disse que não faz esse procedimento”, contou.

Com isto, Roberta decidiu colocar prótese ou enxerto, mas espera chegar aos 64 quilos para, então, fazer a cirurgia.


Saiba mais


Campanha

Imagens proibidas

  • Segundo a SBCP, resultados milagrosos, como são divulgados na internet, os famosos “antes e depois”, não existem, e pode haver manipulação de imagens, com truques em ângulo, iluminação e maquiagem, usados por profissionais não médicos.

  • O presidente da SBCP, cirurgião plástico Dênis Calazans, afirma que esta conduta é proibida aos médicos.

  • “Os profissionais que realizam indevidamente certos procedimentos expõem pacientes com o uso de imagens não apropriadas e ainda espalham fake news com o intuito de seduzir novos clientes com promessas irreais, sem o mínimo de preocupação com a segurança do paciente”, destacou.

Escolha do profissional

  • Dênis Calazans ressalta que a escolha do profissional para a cirurgia deve ser criteriosa. É importante estar atento à formação, ao currículo e à carreira do profissional.

  • Outro fator importante para a segurança do paciente é onde será realizado o procedimento. Muitas complicações cirúrgicas têm relação direta com a escolha do local, que deve ser certificado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e possuir todos os equipamentos e recursos para as intercorrências que possam acontecer.

  • O paciente deve colher o máximo de informação sobre o local em que realizará a cirurgia e, se possível, até fazer uma visita previamente.

Resolução

Regras para os pacientes

Riscos

  • Um caso de destaque foi a morte de uma mulher no Rio de Janeiro, após fazer preenchimento com polimetilmetacrilato (PMMA), um material sintético, no bumbum, com um médico que tem quase um milhão de seguidores nas redes sociais.

  • Desde 2006, o Conselho Federal de Medicina (CFM) alerta os médicos sobre o produto, por não existirem estudos de longo prazo sobre seus efeitos no corpo humano.

  • Uma das principais complicações é o aparecimento de granulomas ou calcificações, como reação a um corpo estranho.

Fonte: Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e pesquisa AT.

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