Kilian Jornet nos Alpes, em cena do documentário "Summits of My Life". (Divulgação)

Kilian Jornet nos Alpes, em cena do documentário "Summits of My Life". (Divulgação)

Foi nas montanhas que Kilian Jornet ganhou fama, respeito e títulos. Vencedor das principais corridas de montanha do mundo, como Hardrock 100, Western States Endurance Run e Ultra Trail de Mont-Blanc, o espanhol vai defender os lugares que lhe deram tanta alegria. "Desde criança fui educado sobre a necessidade de proteger o meio ambiente e fiz tudo ao meu alcance. Agora quero dar um passo adiante e ajudar projetos, organizações e pessoas que se dedicam à preservação do planeta. O planeta precisa de toda a ajuda que pudermos dar ", afirma o espanhol em um comunicado anunciando a criação da Fundação Kilian Jornet.

Depois de dois anos de planejamento, ele lançou, com recursos próprios, sua fundação, com sede na Catalunha, para a preservação de montanhas e seu meio ambiente. “Tenho escalado montanhas e cruzado geleiras durante toda a minha vida e pude observar como os efeitos das mudanças climáticas têm sido devastadores. Todos nós temos um papel a desempenhar para reverter essa tendência e garantir que as gerações futuras possam não apenas brincar nas montanhas, mas também viver em um planeta saudável", afirmou o corredor, que no último dia 18 venceu a Sierre Zinal, nos Alpes suíços, com a participação de 25 atletas.

Para segundo ele, a fundação tem como objetivo a proteção das altas montanhas e geleiras. "Essas regiões são parte essencial da vida no planeta. Desde de o ciclo da água até a biodiversidade, e minha fundação vai trabalhar pela proteção dessas áreas e seu papel na saúde do planeta ”.

Kilian chama atenção para a influência das mudanças climáticas nas montanhas. "As mudanças climáticas estão colocando em risco o ambiente montanhoso. As mudanças que o planeta está passando afetam diretamente não só os ambientes montanhosos, mas também todos aqueles que deles dependem: a fauna, a flora e nós humanos."

O desenvolvimento sustentável é apontada pelo espanhol como uma forma de preservar as montanhas. "Proteger montanhas e aumentar seu desenvolvimento sustentável é fundamental e você pode começar pequeno. Esta proteção nos ajudará a aumentar a capacidade de recuperação de seus habitantes e também dos principais recursos que as montanhas proporcionam: alimentos, água ou a conservação da biodiversidade. Mudanças climáticas e outras precisam ser abordadas de forma holística. Coletar dados e aumentar a conscientização sobre a importância de pequenas ações para a mudança do sistema global que afeta as montanhas é fundamental".

Para colocar em prática os objetivos de sua fundação, Kilian aposta em criar ou financiar projetos para soluções de problemas ambientais e na educação. "Precisamos de ações diretas para preservar as montanhas, sem poluir. A Fundação quer criar ou financiar projetos voltados para a solução dos problemas ambientais da montanha. Por meios de seus canais e de parceiros, a fundação quer conscientizar sobre a importância da preservação do ambiente, utilizando a educação para estabelecer uma melhor relação entre o ser humano e a montanha".

Pesquisas para a preservação das montanhas também fazem parte da estratégia da fundação. "Queremos investir em estudos e serviços de monitoramento para entender melhor os efeitos das mudanças climáticas nos ambientes montanhosos e estabelecer as melhores ferramentas possíveis para enfrentá-los."

A primeira ação da Fundação Kilian Jornet é a parceria com o World Glacier Monitoring Service (WGMS), da Universidade de Zurique, entidade que desde 1894 acompanha a evolução das geleiras ao redor do mundo, especialmente nos Alpes e na Escandinávia. "A devastação causada pelo aquecimento global é mais do que visível em destinos como o Mer de Glace, no maciço do Monte Branco; os Pirenéus ou o Himalaia, onde o volume dos lagos glaciais aumentou perigosamente", alerta Jornet.

A Kilian Jornet Foundation, que procura investidores parceiros, comprometeu-se a financiar a compra de equipamentos para facilitar a pesquisa da WGMS, bem como programas educacionais em escolas.

Jornet comenta que sua fundação busca recursos para promover diferentes linhas de pesquisa voltadas para o aprofundamento do conhecimento sobre mudanças climáticas. "Faremos campanhas educativas e ações diretas como o reflorestamento, o desmantelamento de infraestruturas que não são mais úteis nas montanhas e que prejudicam o meio ambiente e a limpeza de enclaves contaminados".

Sobre este último ponto, ele destaca que “temos que ser consistentes, não basta organizar uma operação específica de coleta de resíduos, é preciso traçar mecanismos para reduzi-los e sistemas para retirá-los que perduram no tempo. Procuramos ideias, que as pessoas nos enviem suas propostas”.

Para conquistar a cumplicidade das pessoas no que diz respeito a respeitar os ambientes montanhosos e pedir-lhes que façam a sua parte na luta contra as alterações climáticas, o atleta sabe que deve dar o exemplo. “Sou uma pessoa pública e seria muito hipócrita dar mensagens em um sentido e fazer o oposto. Tenho seguido uma dieta vegetariana durante a maior parte da minha vida, minha parceira, Emelie, também. Temos o nosso jardim e compramos produtos locais e orgânicos sempre que possível. Mas, como atleta, o mais importante é contribuir para a emissão de menos gases de efeito estufa e os últimos dez anos da minha vida nesse aspecto foram desastrosos. Minha meta é emitir no máximo três toneladas de CO₂ por ano, o que é no máximo um voo intercontinental e dois continentais ”, detalha ele.

Diante disso, quando a nova normalidade pós-pandemia permitir, Kilian, que mora na Noruega, diz que: “só vou participar de corridas que significam muito para mim e que sejam organizadas perto de casa. A prioridade para 2021 é o montanhismo, o que mais o motiva hoje, e o Himalaia, no Nepal ou no Paquistão". (Iúri Totti/Corrida Informa)