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Livro procura preencher as lacunas da história do cinema ao ressaltar protagonismo feminino

Jornal do Commercio

As pesquisadoras Luiza Lusvarghi e Camila Vieira da Silva organizaram o livro "Mulheres Atrás das Câmeras - As cineastas brasileiras de 1930 a 2018" e obra é lançada no Recife

Historicamente invisibilizadas nos mais diversos campos artísticos, as mulheres vêm ganhando mais espaço no cinema mainstream nos últimos anos. Com o objetivo de recontar a história da Sétima Arte no Brasil, a pesquisadora doutora e crítica de cinema Luiza Lusvarghi decidiu organizar, junto a Camila Vieira da Silva, o livro Mulheres Atrás das Câmeras - As cineastas brasileiras de 1930 a 2018 (Estação Liberdade, 368 pgs, R$ 64), que é lançado na próxima segunda-feira (02) no Recife, às 18h, na Livraria Jaqueira do Paço Alfândega.

No evento acontece também um debate - mediado por Luiza - com a participação das cineastas Déa Ferraz (Câmara de Espelhos) e Renata Pinheiro (Açúcar), além da crítica de cinema Luciana Veras, da professora da UFPE Iomana Rocha e representantes do Movimento Mulheres no Audiovisual - Pernambuco (Mape).

“A ideia do livro surgiu de discussões que a gente tinha dentro da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine). Hoje a presidente é uma mulher, Ivonete Pinto, e, embora numericamente ainda sejam poucas as mulheres, já representamos 25% do total. Em paralelo à consolidação da nossa presença estava surgindo um coletivo de críticas de cinema, o Elviras, organizado por algumas dessas companheiras. A gente discutia muito essa questão da falta de publicações que fizessem o resgate dessa memória, da importância do trabalho feminino na direção, que é uma função extremamente competitiva e se referência no fazer cinema”, pontua Luiza Lusvarghi.



O livro

A obra é dividida em 27 artigos, e inclui filmografias das realizadoras perfiladas e o Pequeno Dicionário das Cineastas Brasileiras, com 265 verbetes. Os ensaios abordam desde o pioneirismo de Cléo de Verberena, Carmen Santos e Gilda Abreu, até diretoras contemporâneas como Anna Muylaert e Suzana Amaral.

É necessário preencher as lacunas da história do cinema brasileiro e revelar as dificuldades passadas por tantas cineastas ao longo das décadas para serem reconhecidas.Neste processo de reconhecimento, é também importante nomear essas mulheres e devolver seus papéis de protagonistas.

“A presença das mulheres na direção se intensificou a partir da década de 1970. Hoje tem mais mulher dirigindo, mas a questão é a invisibilidade das pioneiras. Muita gente diz até hoje que Cleo de Verberena, considerada a primeira mulher a dirigir um filme com O segredo do Domino, não alcançou tal feito e que foi seu marido o diretor. É considerado mais comum as mulheres produzirem, mas ninguém questiona a posição quando é um homem que realiza o filme. Isso ocorreu também com Helena Solberg, no Cinema Novo, e outras", conclui Luiza.

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