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Oito em cada dez brasileiros querem consumo compartilhado

O Tempo

A mineira Daniella Maria Medeiros Fraga, 30, passou a hospedar animais de outras pessoas em casa há cinco anos, mais para se distrair do que para ganhar dinheiro. Ela se cadastrou em uma plataforma online e, no começo, aparecia um ou outro cliente.

Mas, no ano passado, justamente quando ficou desempregada e mais precisava, Daniella viu a demanda crescer. “Durante todo o ano, me mantive bem só com esse dinheiro. O animal tem mais liberdade, e, para o dono, sai mais barato do que hospedagem em pet shop”, diz.

Ela recebe cães, gatos, hamsters e outros animais na casa onde mora em Contagem, na região metropolitana, por meio da Pet Anjo, startup que conecta tutores a cuidadores que compartilham a própria residência, além de tempo e experiência, para o cuidado dos animais.

A hospedagem de bichos de estimação na casa de terceiros é uma das modalidades de consumo colaborativo com maior potencial de utilização, assim como o compartilhamento do espaço e de recursos do trabalho (coworking) e o aluguel e a troca de brinquedos, segundo pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) divulgada neste mês.

O levantamento mostra ainda que aumentou para 81% – ou seja, oito em cada dez pessoas – o percentual de brasileiros dispostos a adotar mais práticas de consumo colaborativo nos próximos dois anos – em 2018, eram 68%.

O consumo colaborativo se baseia no conceito de que é mais importante ter acesso à função de um produto do que possuí-lo. De acordo com a pesquisa, essa forma de economia surge a partir de dois fatores principais: o desgaste do consumismo, que resulta em desperdício e impactos sobre o meio ambiente, e o avanço da tecnologia, que permite as conexões em rede.

Com foco em um consumo mais sustentável, nasceu, em 2016, a Allugator, empresa de Belo Horizonte que recebe equipamentos fotográficos ociosos de terceiros, como câmeras e lentes, e os disponibiliza para aluguel. Os donos ficam com 30% do valor.

“A ideia surgiu a partir da reflexão da furadeira. Você não precisa dela, precisa do furo na parede. O objetivo é ajudar as pessoas a consumirem de forma mais inteligente”, afirma o CEO da empresa, Cadu Guerra.

Segundo Guerra, a demanda tem crescido tanto que hoje é maior do que a oferta – são mais de 20 mil usuários na capital e região metropolitana. “O compartilhamento é um instinto natural do ser humano, e a tecnologia permite que isso seja feito com comodidade e segurança”, pontua.

A cidade também ganhou neste mês o Coworking da Dança, primeiro espaço colaborativo do segmento, idealizado por Regis de Souza, 49.

“Percebi que professores de dança muitas vezes não têm condição financeira de abrir e decorar a própria academia. As despesas são muito grandes”, conta Regis.

Os profissionais interessados em usar o espaço pagam um aluguel, que varia conforme o número de alunos, e Souza cuida do resto. Ele já tem parceria com professores de forró, samba e zumba. “O profissional tem mais liberdade, e fica mais em conta para todo mundo”, diz o idealizador.

Dá pra viajar sem levar a mala

Viajar sem se preocupar em levar roupas e pagar pelo despacho da bagagem também é uma possibilidade aberta pelo consumo colaborativo. Há opções para compartilhar malas, acessórios e até roupas casuais, do dia a dia.

Uma delas é o LOC, aplicativo em que o usuário cadastra as próprias roupas e o valor que deseja receber pelo aluguel. O pagamento é feito pela plataforma, que fica com 30%.

“A gente não usa mais que 20% das peças do guarda-roupa. Dessa forma, o aproveitamento é muito maior”, pontua o CEO Filipe Tambon.

A loja Armário Compartilhado, de Belo Horizonte, também aposta no uso: recebe vestidos de festa e acessórios parados nos armários e os aluga por valor até um quinto menor do que o de compra. Toda vez que a roupa é alugada, a dona ganha uma comissão.

“As pessoas pagam caro por um vestido, usam uma ou duas vezes, e acabou. O colaborativo tem a questão da sustentabilidade, de dar uso ao que está parado, e a geração de negócios”, diz a proprietária, Ana Luisa Elisei Almada, 34.

Crise estimula criatividade e colaboração

A crise econômica favorece o surgimento de iniciativas de economia criativa e colaborativa, na avaliação do professor de economia do Ibmec Felipe Leroy.

“Todo mundo fala da crise econômica que assola as famílias e aumenta o desemprego. Mas a crise é importante porque promove ajustes, tira as pessoas da acomodação e gera inquietação, pois todos nós precisamos sobreviver”, dizo economista. “Quando estamos em crise, somos mais criativos para buscar alternativas”, completa.

Segundo Leroy, o consumo colaborativo é um caminho sem volta, uma vez que as pessoas estão cada vez mais preocupadas com o meio ambiente e o bem-estar. “Já estão pensando em construir prédios com lavanderia industrial, por exemplo. Está todo mundo buscando novas formas de ganhar dinheiro e sobreviver”, afirma.

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