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Aversão ao arrependimento, excesso de confiança: o que influencia suas decisões sem você perceber

InfoMoney

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

Decisão

(Shutterstock)

Você já deve ter ouvido ao menos uma dessas afirmações sobre a Bolsa: ações são um investimento de alto risco; é preciso entender de finanças e ter um horizonte de longo prazo para aplicar na Bolsa; você pode perder um bom dinheiro no mercado acionário.

Essas frases feitas geram a impressão de que investir na Bolsa é algo complexo e distante da sua realidade da maioria das pessoas.

Quando recebemos este tipo de informação de quem tem conhecimento sobre o mercado, de “autoridades no assunto”, desenvolvemos atalhos mentais que nos induzem a erros de percepção e avaliação. Por consequência, levam a julgamentos que escapam à racionalidade ou estão em desacordo com a teoria estatística.

Quando esses erros começam a ocorrer de forma sistemática em determinadas circunstâncias, passam a ser conhecidos como vieses.

Os vieses limitam nossa capacidade de raciocinar com clareza e fazem com que tenhamos comportamentos prejudiciais. Eles nos geram ansiedade e euforia para comprar quando a Bolsa está em alta, e medo – em alguns casos, desespero – em momentos de baixa.

Em 1972, os psicólogos Daniel Kahneman e Amos Tversky (este já falecido), com a publicação da teoria das escolhas, deram início às descobertas de vieses que afetam de forma relevante a maneira como tomamos decisões.

Em 1979, eles descobriram que alguns axiomas da teoria tradicional de finanças, que partem do princípio de que os agentes financeiros são racionais, foram quebrados. Os pesquisadores concluíram que, em ambientes de incertezas e riscos, a variação do bem-estar às perdas é mais significativa do que quando ocorrem ganhos.

Em outras palavras, sentimos muito os prejuízos do que os lucros (vale lembrar que Kahneman foi o primeiro psicólogo a ganhar o Nobel de Economia).

Em resumo, os principais vieses que afetam os investidores são:

Aversão a perda
A partir das descobertas de Kahneman e Tversky, supõe-se que a dor de perder seja cerca de duas vezes mais poderosa do que o prazer de ganhar. Assim, as pessoas estão mais dispostas a correr riscos para evitar perdas.

Agora ficou fácil entender por que tantas pessoas seguram posições perdedoras, cortam prematuramente os seus ganhos ou criam estratégias de realizações parciais.

Aversão ao arrependimento
Quando uma pessoa teme descobrir futuramente que sua decisão foi errada, demonstra aversão ao arrependimento. Esse viés é associado com a aversão à perda e faz com que muitos investidores não consigam entrar em uma nova negociação depois de ter um prejuízo.

Ancoragem
Quando somos exposto a uma informação prévia (notícia) no momento de tomar uma decisão, tendemos a levar em consideração a notícia. Para pegar um exemplo recente: se ouvimos que investidores estrangeiros estão vendendo ações brasileiras, ficamos aversos a acompra.

Uma informação que nos é emitida antes de o mercado iniciar – por exemplo, os resultados positivos de uma empresa – estimula a ideia de que o movimento seguinte da empresa será positivo.

Também costumamos assumir que uma nova opinião de um analista que acabou de acertar também será certeira.

Excesso de confiança
O efeito do excesso de confiança é observado quando a confiança subjetiva da pessoa em sua própria capacidade é maior do que seu desempenho objetivo (real). Ou seja, quando está ganhando acredita que será capaz de manter o ritmo infinitamente até que se expõe ao risco da ruína.

Muitos problemas são atribuídos ao excesso de confiança, entre eles, as altas taxas de empreendedores que entram em um mercado apesar das baixas probabilidades de êxito (Moore e Healy, 2008).

Existem muitos outros vieses e heurísticas que ao longo dos próximos artigos irei compartilhar com vocês. Cientes de que estamos sujeitos a eles, acredito que podemos tomar melhores decisões.

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Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

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